Original source (on modern site) | Article images: [1]
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Sem falta na Rádio Observador. Estivemos a acompanhar a vitória de Portugal frente ao Chile, jogo que aconteceu no Estádio do Jamor e que foi apitado pelo italiano Luca Zuffirelli. Temos aqui um árbitro que, como disseste, Pedro Henriques, esteve também numa lógica de preparação neste jogo. O primeiro jogo ou dos primeiros jogos como internacional e é também para isso que servem estes jogos. Tivemos expulsão de Rafael Leão, será um dos grandes temas também, e acredito também uma série de outros relacionados com as regras que hoje já estiveram em preparação e que vão entrar em vigor de forma decisiva já neste mundial. Sim, é lógico que eu costumo dizer isto e não quero com isso passar protagonismo para a arbitragem, até porque é sempre mau quando a arbitragem ou as questões relacionadas com a arbitragem têm protagonismo, mas este vai ser um mundial um bocadinho diferenciado. Repara que grande parte desta conferência de imprensa do Roberto Martínez foi muito focada na questão da expulsão, do vermelho e das consequências. Às vezes, a sensação que eu tenho é que as seleções, as equipas, eu estou sempre a dizer isto, preparam muito bem todas as partes técnico-táticas e depois esquecem-se muito da arbitragem. E este ano, com tantas alterações, eu espero, para além daquilo que vai acontecer com todas as seleções, que é irem receber in loco, por parte do International Board, tudo que são as alterações. Quando chegarem aos hotéis, eles próprios nos sítios, nos centros de estágios, vão receber essa informação direta de todas as alterações. Eu continuo a achar que era importante que as equipas cada vez mais se fizessem acompanhar sempre por pessoas que, estando dentro deste setor, possam ajudar para contribuir para que não haja atitudes, determinado tipo de reações, ou pelo menos saibam como lidar com elas. E este jogo teve algumas situações bastante interessantes e que vão inclusivamente ao encontro das respectivas alterações que as leis têm. Vamos lá começar, porque lances propriamente ditos do jogo há muito poucos. Tirando o cartão, nem sei se há mais alguma sanção disciplinar, Pedro, para além do cartão vermelho. Não há mais nenhuma sanção disciplinar, mas há poucos lances de propriamente aquilo que são os casos de jogo normal, os penais, etc. Há é muitas situações marginais, entre aspas, que vão implicar exatamente com isso que eu estava aqui a falar. Pronto, ao minuto 12 entramos numa dessas situações que o árbitro foi fazendo para aplicar já a regra. Foi um lançamento de lateral a favor de Portugal, o Rafael Leão tinha a bola na mão e estava em condições para lançar. Por razões óbvias, porque o Cancelo normalmente é que faz esses lançamentos, deixou a bola para aquele que é o seu lateral. Só que o árbitro, assim que se apercebeu que o Rafael Leão, que até pode não estar com a intenção de perder tempo, mas para a FIFA e para o International Board, aquilo que autuou é que os lançamentos têm que ser realizados no chamado tempo normal, útil. E a partir do momento que o árbitro entende que é isto que vai acontecer, que esse lançamento não está a ser executado, não é quando a bola sai que começa a contar os cinco segundos. O árbitro dá a contagem de cinco segundos. E foi isso que aconteceu. O Rafael tinha a bola na mão, deixou para o Cancelo e o árbitro automaticamente começou cinco, quatro, três e começou a fazer a respectiva contagem. E qual é a punição, Pedro, caso não lance, a bola passa para o adversário? Exatamente. O lançamento passará para a equipe adversária. Não aconteceu porque as equipas foram até cumprindo sempre e, neste caso, o Cancelo, não sei se percebeu da contagem ou não. O fato é que, curiosamente, quando o árbitro ia cinco, quatro, três, no três, acaba por fazer o respectivo lançamento. Este, portanto, um lance interessante sobre isso, porque isto vai acontecer. O árbitro também fez essa contagem ao guarda-redes num pontapé de baliza, porque isto vale para os lançamentos laterais como para o pontapé de baliza. E o que eu quero reforçar é: não é quando a bola sai que começa a contagem, é quando o árbitro entende que o jogador já está em condições de o fazer, de ir-me a ela. "Ah, então quer dizer que o jogador se demorar a ir buscar a bola, o árbitro não conta?" Não, isto é de tipo futsal. O árbitro percebe que o jogador está a ir devagarinho para a bola, inicia a contagem e o jogador tem que acelerar, seja para o pontapé de baliza, seja para o lançamento lateral. Aqui os árbitros vão ser sempre obrigados a fazer a contagem e também a interpretar um pouco daquilo que é a linguagem corporal do jogador. Exato. Há informações específicas nesse sentido ou isso depende mesmo da sensibilidade de cada árbitro? Não. Repara, quem acompanha o futsal percebe isso melhor do que a gente estar aqui com grandes palavras. A bola saiu, não vais iniciar a contagem. A partir do momento que o jogador que vai buscar o lançamento, vai buscá-la de forma normal e coloca para fazer o lançamento, o árbitro inicia aí a contagem. Se percebes que o jogador já não está a ir para a bola da forma tão normal como vai, é só ver, percebe-se. Com o gesto do jogador, percebe-se. Ou, como foi o caso, tens a bola e deixas para o outro e depois, como acontece muitas vezes, ainda deixas para um terceiro. O árbitro, a partir do momento que, neste caso, o Rafael Leão passou para o Cancelo, o árbitro iniciou a contagem. Isso é fácil, não é assim tão difícil de se perceber essa body language dos jogadores, porque é um fato que é preciso sensibilidade do árbitro, mas é quase natural, é quase normal. Tu percebes logo quando um guarda-redes. Por quê? Porque tu também sabes quando um guarda-redes está a perder o jogo ou um jogador que vai lançar a bola está a perder o jogo, a atitude e a resposta não é esta. Às vezes até é mais acelerada, mas é uma resposta mais normal. A bola, agarrar nela, lançar ou executar o pontapé de baliza. Isso é fácil de perceber para um árbitro também. Minuto 16. É uma situação em que a bola estava num jogador de Portugal, bate no árbitro e sobra no lado esquerdo do ataque do Sporting. E o árbitro fez mal. De Portugal, para a equipe portuguesa, ou seja, não deixou de estar na posse da equipe portuguesa. O árbitro mesmo assim interrompeu e fez bola ao solo. Eu queria relembrar que a lei 9, que é a lei que fala da bola em jogo e fora do jogo, tem três situações em que a bola batendo no árbitro, o árbitro é obrigado a fazer bola ao solo. Uma é quando entra na baliza, raramente acontece. A mais normal, que é quando toca no árbitro e muda a posse de bola, está numa equipe e passa para a outra. E esta que não é tão normal, que é quando a bola fica mesmo assim na mesma equipe. O texto da lei diz que a equipe inicia um ataque promissor, ou seja, aquela equipe fica de posse de bola, mas fica com uma vantagem porque a equipe adversária ficou desposicionada. Ou seja, porque o fato de ter batido no árbitro, ficou balanceada para um lado e a bola foi para o outro e a equipe, neste caso, de Portugal, ficava com uma grande vantagem. Foi isso que o árbitro entendeu, mas quando se vê o lance, Portugal não saiu com nenhum ataque promissor, não ficou com grande vantagem. A equipe do Chile estava perfeitamente na jogada e acho que o árbitro não deveria ter interrompido o jogo. Não veio mal ao mundo por causa disso, mas é para fazer a explicação. Depois, ao minuto 25, neste caso, porque depois na segunda parte até foi mesmo. A lei diz que ao minuto 23 ou minuto 68, que é mais ou menos a meio da primeira parte e a meio da segunda, é ali entre os 22, 30, 23 minutos de cada parte, assim que a bola sair do terreno de jogo ou o jogo estiver interrompido, o árbitro não vai interromper o jogo. É obrigatório fazer a tal paragem que as pessoas todas estão a dizer de hidratação, não tem mal, mas já agora ficam a saber que a lei divide, neste caso, a lei 7, na sua página 87, o ponto três, que fala da recuperação do tempo perdido, divide em duas coisas. Uma hidratação que não excede um minuto. Esta, no fundo, é parecida, que se chama paragem para arrefecimento, que depois no mundial vai aparecer em letras pequeninas ao canto da televisão, cooling break, que é a tradução, que vai de um minuto e meio a três minutos. O objetivo é o mesmo. E às vezes não é só refrescar o próprio corpo, os treinadores também aproveitam para refrescar as ideias. Isso está previsto. Não é nada que seja irregular. Durante aquele minuto e meio a três minutos, as equipas vão ao banco, vão descansar, vão se hidratar, vão comer géis, vão fazer o que quiserem. E os treinadores têm autorização, obviamente, para fazer a sua intervenção. E parece-me muito bem nesse aspecto. Depois, ao minuto 35, talvez um caso de jogo, sob o ponto de vista técnico, que é o fora de jogo ao Cristiano Ronaldo, que realmente não há dúvida que ele está adiantado em relação ao penúltimo adversário. O assistente cumpriu o protocolo, deixou a jogada finalizar e depois levantou a bandeirola. O VAR, que havia VAR neste jogo, embora tenha passado despercebido, acabou por confirmar e, portanto, o gol anulado ao Cristiano Ronaldo está certo. Ao minuto 45 mais dois, e só tenho aqui também mais três situações, ao minuto 45 mais dois, aquilo que é o mais relevante, que é, em termos reais, expulsão do Ivan RomanPor parte do Chile, de Rafael Leão. Vamos àquilo que nos importa, que é o Rafael Leão, até porque surgiram logo essas dúvidas do que vai acontecer ao Rafael Leão a seguir e pelas palavras do selecionador. São estas coisas que me deixam, às vezes, um bocadinho preocupado. Eu acho que a federação, neste aspecto, devia dar um passo em frente. Aconteceu esta circunstância. Eu acho que alguém técnico desta área devia estar a colaborar com a federação no sentido de, quando o senhor Roberto Martínez fosse à conferência de imprensa, já saber o que tinha que dizer, porque ele neste momento está a dizer: "Espere, porque as mãos foram no pescoço". Sim, quando, na verdade, já há um procedimento estabelecido. Não, já há um procedimento estabelecido e se houver alguém que perceba desta área, de regulamentação de arbitragem, faz ali um debriefing muito rápido e o selecionador, sem entrar em grandes considerações, poderia não estar a passar a imagem e a mensagem de que ainda está à espera de ver, oxalá, o relatório do árbitro, desculpem a expressão, seja um relatório fixe para não colocar nada disto em jogo. Isto é muito simples relativamente ao que está escrito. Em termos regulamentares, uma expulsão num jogo particular, entenda-se amigável, as sanções são aplicadas nesse contexto e são cumpridas em partidas da mesma natureza, ou seja, não transitam automaticamente para os jogos oficiais da fase final, neste caso, entenda-se o mundial. O próprio código disciplinar da FIFA estabelece que um cartão vermelho implica normalmente um jogo de suspensão, número que obviamente pode aumentar em função da gravidade da infração, se fosse uma coisa mais grave. A regra é muito clara, distingue encontros oficiais dos restantes, entenda-se amigáveis. As expulsões em jogos oficiais, eliminatórios ou fases finais, implicam suspensões a cumprir em jogos oficiais subsequentes da mesma competição e as infrações cometidas em amigáveis vão-se refletir em suspensões também em jogos amigáveis. A não ser que não é o caso, estamos tranquilos, que a conduta que leva à expulsão fosse uma coisa excepcionalmente grave, aí, sim, a FIFA poderia dar para tudo. Dá para agravar ou reduzir ou até mesmo suspender mediante a análise do relatório do árbitro e até eventuais posições que fossem apresentadas. Ou seja, embora a regra seja jogos amigáveis, jogos amigáveis e não passa para os oficiais, imaginemos que havia ali agressões, sei lá, coisas muito graves, que aí sim, poderia até levar à suspensão do jogador. Não é o caso. Portanto, o previsível é que o Rafael Leão leve um jogo de suspensão, vai cumprir lá está no jogo amigável contra a Nigéria e fica limpo para aquilo que é o primeiro jogo do mundial, dia 17 de junho, neste caso, contra o Congo. Posto isto, mais dois lances que merecem aqui, o minuto 58, o gol de Portugal, do Rúben Neves. A transmissão nesse aspecto não foi má, não foi horrível, não foi péssima, foi tudo isto junto. Portanto, a repetição do gol, do fora de jogo ao Cristiano Ronaldo é uma coisa hedionda. Este lance aqui também, nem linhas, fora de jogo, absolutamente nada, mas de qualquer maneira, Rúben Neves passa para Gonçalo Guedes, ele está a ser colocado em jogo pelo Gabriel Soares e, portanto, o gol de Portugal, na altura o primeiro gol da seleção portuguesa, legal e sem qualquer motivo para infração. Finalmente, última nota, para terminar um bocadinho também fora deste contexto dos casos, para falar das substituições. A lei três, que é a lei sobre os jogadores, determina que o número de substitutos que podem ser utilizados em jogos amigáveis de seleções nacionais seniores A, que estavam em seis, foi aumentado para oito. Mas ambas as equipes, entende-se aqui seleções, podem acordar um aumento adicional até o máximo de 11. Ou seja, as seleções, neste caso, concordaram e ao chegar ao acordo, podiam fazer 11. Curiosamente, Portugal fez oito e o Chile fez sete, mas podiam ter ido a 11 porque era isso que estava acordado. Relembrar que, contudo, tirando o intervalo, que não conta como paragem, estas eventuais 11 substituições que Portugal e o Chile podiam fazer, só tinham três paragens, chamadas três oportunidades, para fazer durante o jogo. Claro que fazendo o intervalo, Portugal fez logo o intervalo a seis, esse não conta como paragem. E pronto, está tudo dito relativamente a muita coisa aqui hoje, que até passa para além do pênalti e do fora de jogo. E resta saber, Pedro Henriques, que nota merece Luca Zuffirali, sendo que foi também uma espécie de jogo de preparação para este árbitro que vai iniciar a carreira internacional. Está a iniciar a carreira de internacional, tem 35 anos, é o primeiro ano de internacional, este árbitro italiano. Nota sete, vou dar nota positiva. É óbvio que os jogadores normalmente, tirando aquele caso, e foi um caso excepcional, que aconteceu das expulsões, os jogadores também não complicaram muito, nem complicam, pelo nível de intensidade, ninguém quer ser advertido, ninguém quer ser expulso, ninguém quer deixar de poder estar em condições até inclusivamente físicas, sem lesões, para o primeiro jogo do mundial e daí que há uma menor intensidade naquilo que é o pôr o pé, etc. Sobre a arbitragem, nota sete. Aquilo que eu poderia dizer, o gol anulado, claríssimo. As duas expulsões, tudo certo. A arbitragem acaba por ser segura. De positivo, eu destaco exatamente até o gol anulado por fora de jogo ao Cristiano Ronaldo e o gol validado ao Gonçalo Guedes. De Rafael Leão, que lhe valeu este vermelho direto e que num jogo oficial do mundial, eu acho que pode custar muito caro, quer a ele, quer à seleção. E é de refletir, assim como é de refletir a própria seleção nacional, ter alguém disponível, contactável para poderem ajudar exatamente nestas circunstâncias, que eu acho que é muito importante. A arbitragem faz parte do jogo cada vez mais e quem perceber isso, se calhar, está um passo à frente em relação a todas as outras equipes e seleções. Nota sete. Acredito que vá ficar muito contente com esta prestação, Luca Zuffirali. Vamos ter novo encontro marcado para analisar o trabalho de uma equipe de arbitragem no próximo quarta-feira, dia 10, no encontro de Portugal e Nigéria, sendo que, Pedro Henriques, vamos ouvindo tua voz em sede do Campeão É, com notas de zero a 20 aos protagonistas do dia no mundo do esporte, onde também vamos ouvindo algumas das explicações sobre estas regras que vão marcar a diferença já a partir do início do próximo mundial, onde vamos contar também, claro está, com o Pedro Henriques, o nosso áudio árbitro internacional. Um grande abraço. Um abraço, obrigado.