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"Portugal dominou, mas lento e pausado."

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Portugal 2, Chile 1, num jogo que foi a passo de andamento e onde a seleção nacional acabou por dominar, sobretudo na primeira parte, depois da expulsão de Rafael Leão, a par com um dos jogadores do Chile, por desacatos. Portugal acabou por perder um dos seus maiores agitadores, mas nem por isso, Augusto Inácio, deixou de ser a equipe sempre mais perto de vencer este encontro, como do resto, era sua obrigação.

Sim, era obrigação até que Portugal afrontou uma equipe que ainda está à procura da sua identidade. O Chile, na minha opinião, acho que vai passar uns tempinhos sem aparecer na alta roda do futebol mundial, porque é uma equipe ainda muito debilitada. Aquelas grandes figuras que tinha desapareceram. Está a formatar agora com gente mais nova. Enfim, vai levar o seu tempo a constituir essa grande equipe e por isso o Chile foi um adversário que, embora seja sul-americana, nada tem a ver com o que vai ser a Colômbia.

E foram sendo feitas perguntas aos jogadores se este jogo servia de alguma forma para preparar esse jogo com a Colômbia. Alguns jogadores a responder que sim, que poderia ter alguma coisa a ver, mas é melhor que se enganem, porque não será nada semelhante, Augusto Inácio.

Eu também acho que sim. Eu acho que a Colômbia vai criar muito mais dificuldades à seleção nacional do que este Chile. Repara que este Chile, na primeira parte, praticamente não fez o arremate à baliza portuguesa. É verdade que Portugal esteve mais perto do gol, mas não teve aquelas claras grandes ocasiões, a não ser aquele arremate do Rafael Leão que foi ao poste. Cruzamentos perigosos, é verdade, sem ninguém dentro da área para poder empurrar a bola. É verdade também que houve essa sensação de perigo, mas a oportunidade foi a do Rafael Leão que rematou a bola ao poste. E o Chile praticamente não fez nenhum arremate à baliza. Portugal praticamente jogou no meio-campo do Chile. Vinte jogadores naquele meio-campo é muito jogador. Eu diria que Portugal dominou o jogo, é verdade, mas sempre num ritmo muito lento, muito pausado, sem grande esforço. E aqui sai o Rafael Leão que do lado esquerdo deu aquelas arrancadas, foi aquele que agitou mais o ataque da equipe portuguesa. O Chico Conceição, não tanto do lado direito e precisamente o Chico Conceição, cada vez que havia cruzamentos do lado esquerdo do Rafael Leão, Chico Conceição esteve sempre muito fora da pequena área para poder empurrar a bola lá para dentro. Eu diria que Portugal, é verdade que dominou, mas o entusiasmo lá dentro do campo foi tão grande, que as pessoas que estavam aqui na bancada, praticamente o estádio cheio, praticamente não vibraram quase com nada, a não ser aquelas sensações de perigo que houve junto à área do Chile, e aquela bola foi ao poste. Mas na segunda parte as coisas foram diferentes, até porque surgiu aquele caso, ainda no final da primeira parte, da expulsão de um jogador chileno e do Rafael Leão.

Mudou um bocadinho o cariz do jogo, mas sendo que foi expulso um jogador para cada lado, apesar de poder haver algumas diferenças técnicas na abordagem, mantém-se o equilíbrio de forças. Portugal acaba por perder um pouquinho o domínio na segunda parte. Terá sido consentido? Terá tido a ver com algumas alterações? Não nos esqueçamos que é também um jogo de testes para Roberto Martínez.

Sim, mas Portugal praticamente não mudou o seu sistema. Jogou com quatro defesas, dois médios, tinha um à frente desses médios e atrás do ponta-lança, que era o Bruno Fernandes, e os dois extremos, que praticamente tirou-se aquele que estava por trás do ponta de lança, o tal 10, assim se possa dizer, e Portugal jogou em 4-4-1, por isso o Chile também jogou com 10. E o que aconteceu? O Chile entrou muito melhor na segunda parte, parece que se adaptou melhor a jogar com 10. Aproximou-se mais à baliza portuguesa.

E teve também um homem que, senão apareceu muito na primeira parte, na segunda foi um nome quase constantemente mencionado pelo Miguel Vieira. Falamos de Vicente Pizarro. Talvez o melhor da equipe, a par com o guarda-redes, a equipe do Chile.

Sim, foi o jogador mais agitador, aquele mais perigoso do ataque do Chile. O guarda-redes, claro, joga no Swans e joga também na Championship em Inglaterra. Eu diria que marcou presença aqui, marcou pontos esse guarda-redes e ficou na retina as boas defesas que ele fez, principalmente na segunda parte. Mas diria eu que o Chile entrou muito melhor. O que aconteceu da primeira para a segunda parte da equipe portuguesa? É que na segunda parte foi pragmática. As oportunidades que teve, realmente marcou, um grande gol, um grande passe, a rasgar completamente a defensiva.

E para esse pragmatismo, terão contribuído as substituições de Roberto Martínez, Augusto?

Não, eu diria que com aqueles ou com outros, aquilo era a mesma coisa, o sentido tático do 4-4-1S não se alterava. O que é que se alterou nesse 4-4-1 na segunda parte? Foi a mobilidade que o Gonçalo Guedes deu à equipe portuguesa e foi a visão, o passe, a mobilidade também do Rúben Neves que colocou a bola no espaço vazio, onde apareceu o Gonçalo Guedes. E o Pedro Neto quando entrou na segunda parte também.

Também bom registo e fomos falando disso. Sendo que Rafael Leão insiste em desperdiçar as oportunidades que lhe vão sendo dadas, nomeadamente hoje com a expulsão. Temos também aqui Pedro Neto, cada vez mais candidato a ser o titular regular nesse lugar.

Sim, mas o Pedro Neto já tinha dado indicações noutros jogos que Portugal tem feito, que o Pedro Neto é realmente um jogador muito útil, tanto na direita como na esquerda. Eu penso que esse jogador, a mim, pessoalmente, surpreendeu-me pela sua verticalidade, pela sua ação e pela sua forma como se entrega também ao jogo, não só a nível ofensivo como a nível defensivo. O Rafael Leão é um jogador de espaço. Umas vezes aparece, outras vezes desaparece, muitas vezes não defende bem. É um jogador que vive aqui ou acolá de alguma genialidade que ele tem. Mas hoje, por acaso, foi o melhor jogo que eu vi do Rafael Leão a jogar na seleção nacional. Muito participativo, muito solicitado, com muita vontade de querer mostrar trabalho. Foi pena realmente a expulsão, porque estava a ser, na minha opinião, o melhor jogo que o Rafael Leão tinha feito na seleção nacional. Mas claramente que Chico Conceição também jogou praticamente quase o jogo todo. E eu diria que houve ali, na segunda parte, coisas para poder retificar, como Roberto Martínez disse, e bem, porque PortugalÉ 10 contra 10, há mais espaço, é verdade. Houve os duelos, Portugal ganhou alguns duelos, mas houve realmente muito pouca circulação, muito pouca qualidade, muito pouca intencionalidade também de chegar à baliza, embora tivesse marcado dois gols. Mas diria, na primeira parte, Portugal jogou nesse sentido ofensivo com mais perigo do que na segunda parte e acaba por fazer dois gols na segunda parte. Ou seja, é um Portugal muito mais pragmático na segunda parte do que foi na primeira.

E para terminarmos esta análise, o que foi, para ti, o pior esta tarde noite no Jamor?

A lentidão da equipe portuguesa, a baixíssima intensidade que se desenvolveu o jogo e claramente a expulsão do Rafael Leão, que nunca pode acontecer.

E para compensar, o que foi melhor esta tarde de laboratório para Roberto Martínez, neste primeiro encontro amigável de Portugal frente ao Chile, vitória por 2 x 1, sendo que vai também haver um outro frente à Nigéria. É o primeiro de preparação. Estamos num bom caminho de preparação?

Diria que o positivo disso foi realmente depois das lesões que Rúben Dias teve, apareceu em excelente momento, muito sereno, muito líder, muito capitão, como se costuma dizer, que embora não fosse capitão, mas para mim é um capitão da defesa. Diria que o Cancelo, na direita e na esquerda, deu muitas garantias. Pedro Neto também, tanto na esquerda como na direita, é realmente um jogador muito fogoso, com muita qualidade, que agita completamente o ataque. O Gonçalo Guedes, que dá algumas ideias diferentes em relação à parte ofensiva da equipe portuguesa. E claramente que o Bruno Fernandes também merece um destaque, até porque o Bruno Fernandes marcou o segundo gol, e bem, mas mostra-se que é realmente um jogador que parece que a época ainda não está no fim. Parece que ainda está a começar e ele está num excelente momento.

Augusto Inácio, tendo em conta também aquilo que foi a prestação de Cristiano Ronaldo, e vou fazer-te esta pergunta para terminar. Foi um jogo um pouco apagado, a primeira parte, onde apesar de tudo, ainda teve um lance de perigo, bateu também um livre e acabou por ficar no balneário, nas palavras de Roberto Martínez, sem problemas físicos e que é algo que já estava combinado e que já estava estipulado para este encontro, que Ronaldo não voltasse para a segunda parte. Estamos também a assistir a uma espécie de nova gestão das possibilidades físicas de Cristiano?

Claramente que o Cristiano Ronaldo tem que ser bem gerido, porque se queres ter um bom Cristiano Ronaldo no Mundial, não pode estar a desgastá-lo também nestes jogos particulares, até pelo campeonato que ele fez e a Liga UEFA, lá de sítio, da Ásia, em que o Cristiano Ronaldo esteve sempre presente, que o Cristiano Ronaldo tem que ser preservado no sentido de que no Mundial é que tem que estar em grandes condições. Mas deixa-me dizer também que no Mundial, se a qualquer momento Portugal estiver numa boa posição a nível do marcador, que ele também deve ser poupado. Ele não pode jogar os jogos todos, porque a idade é assim mesmo, também não permite que ele se desgaste tanto, porque é um torneio que pode ser curto e pode ser longo, consoante aquilo que for a performance da equipe portuguesa. Eu acho que o Cristiano Ronaldo tem que ser gerido de uma forma em que se possa depois tirar o melhor partido daquele que é o melhor Cristiano Ronaldo.

Augusto Inácio, está feito e entregue este relatório de jogo. Portugal 2, Chile 1. Primeiro jogo de preparação na antecâmara do Mundial 2026, um mundial que acontece 40 anos depois do Mundial de 1986, passa a redundância, que aconteceu em Saltillo, no México, em que tu participaste e cuja história está muitíssimo bem contada num podcast chamado "O Escândalo que Destruiu a Seleção Nacional" e que pode ouvir no observador.pt, nas plataformas podcast e por isso fica esta a minha nota positiva para Augusto Inácio depois desta emissão.

Ok, obrigado. Deixa-me dizer que em vez de ser o escândalo do futebol português, devia ser a revolução do futebol português.

Tens que fazer o lobby para a mudança. Augusto Inácio, um grande abraço e muito obrigado.

Um abraço.

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